Underground
por: Vladmir Medeiros
Não tem coisa mais antiga que querer ser moderno, chique, cool. A vanguarda de hoje, o HYPE, é tudo a mesma coisa, só que com um ar de “outside” como Jack Karouac, mas sem nenhuma produção artística, genialidade ou atitude, é só pra parecer diferente, porém, várias pessoas querendo ser “tão” diferente e ostentando os mesmos símbolos de sua pseudo rebeldia, não percebem que são exatamente iguais e se muito, mera estatística.
Acompanham esses, os discursos “sim, eu me visto assim, me comporto assim, ouço tal tipo de música, mas não sou isso”, como quem diz: “eu sou muito mais do que isso”. E não podemos esquecer do velho, canhestro, mofado e mau fadado “eu não me rotulo”. Será que é a pueril arrogância? Ou é burrice mesmo? Acho que os dois.
Gente “tão à margem” costuma cair nos mesmos padrões de comportamento de consumo tipo “é novo, então compre/ouça/repita essa idéia”, afinal, você é “antenado” (leia-se um babaca sem um pingo de personalidade).
A hipocrisia da “moralzinha” judaico-cristã, e como tal, medieval e atrasada, também se faz presente, levando esse indivíduo a se chocar quando se depara com alguém que realmente não dá a mínima para o que vão pensar dele, acaba se tornando “persona non grata” afinal, “meio esquisito esse cara né?”
É recorrente o mesmo discurso de velho “porquê no meu tempo é que era bom”. Bom por que? Que tempo é esse? Ano passado? Quando naquele lugar “chulé” que você freqüentava e te cobrava o dobro do preço na bebida a título de ser um lugar muito “exclusivo”? Quando era freqüentado pelos seus amigos “exclusivos” e não por esses “exclusivos de hoje em dia”?
Até nos segmentos que se acham tão bem fundamentados, com tantas referências artísticas/culturais, de pessoas que gostam tanto de repetir nomes tão ilustres de escritores, pintores, cineastas, etc., na minoria das vezes conhecem suas obras, caem no mesmo PADRÃO DE COMPORTAMENTO e toda a sua informação, cultura, atitude, têm com expressão máxima se vestir de forma X e dançar ao som de música Y. Mas espere, esses não são os “playboys’’? Os que são todos iguais? Que não têm um discurso recheado da nossa falsa erudição? Que não têm tatuagens, piercings, cabelo colorido, não se vestem como a gente e não são Hype? E o pior, não são esses os que têm DINHEIRO????????? Oh, meu deus! Ter dinheiro não é nada Hype! Mas ao menos eles deveriam disfarçar, sei lá, usar um tênis All Star (que é suuuuuuper Hype).